quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Segunda carta à Rainha

Escrevo-te de longe
E ainda aqui, é perto ainda
Se ao andar na rua, divago
Acabo por virar tua esquina

Aqui o andar é manso
E anda ali, é longe ainda
Se na praça eu encontro um primo
Encaixo-te em minha família

Aqui tudo é tão simples
E ainda assim, é belo ainda
Se a madeira que piso range
Sento-me em tua cadeira altiva

Aqui a igreja canta
E mesmo templo, é rádio ainda
Se a paróquia reúne os jovens
Tu vens sorrindo, sapequinha

Aqui é limitado
E ainda sim, é não ainda
Se a fogueira queima no Junho
No Janeiro nos queimaria

Aqui a verba é alta
E ainda preta, é suja ainda
Se a laranja aqui sorri
Colhemos a própria semeia

Despeço-me, Rainha
E ainda adeus, é salve ainda
Se sou um cavalo selvagem
Tu segues atada em minha crina