domingo, 7 de agosto de 2011

Terceira carta à Rainha

Não peço que entendas
Aquilo que não entendo
em mim mesmo

E quem há de entender a luz
Sem sair da sombra?

Mudar pode ser trágico
Só depende de tu aceitares ou não
Não, é trágico
Aceitares, não

Entreguei-te a verdade
Beijei-te a mão
Faça dela o que bem entenderes
Mesmo que não a entendais

Sou tão pequeno
És tão generosa
Sou tão instável
És tão frágil
Sou tão humano
És tão humana

Se beijasse outros lábios agora
Teriam eles gosto de mel com vinagre
Mel pela satisfação daquele que vive a nos tentar
Vinagre pelo vazio que viria depois...

Permite
Que eu  permita à mim
Pois eu permito à ti
Ser o que tu és
Viver como sois
Pensar como queres


E peço a ti que não me prendas
Pois minha fuga pode ser cruel

À quem nunca viu

É como ver borboletas
leves e plenas ao borboletear
Olhando consigo até voar
Voando consigo afugentar
O peso do corpo
Espírito


É como vermelho
Violento no sangue do morto
Humano quando tem vergonha
Cereja vermelhosamente doce
Alimento no umbilical canal mãe-filho
Vermelho



É como verdade
Difícil de ouvir
Difícil de dizer
Difícil de escrever
Fácil de esconder
De sí



É como vertigem
Que se dá na fuga
Da realidade nua
Despir-se de segurança
E andar


É comover alguém
Sentir o que outro sente
Sem colocar-se de lado
Sem ter ao menos tocado a pele
Tocar a alma


É como ver sem ver
É quase como ver-sentir
É quase comover
Como ver?
Como sentir
Sem ti?
É como ver a mim


Só se sente vendo
Só se vê sentindo

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

De mim ao mundo

Da carta ao quatro
Da faca ao fato
Da cena à sina
Do choro ao chão



Do dito ao feito
Do belo ao feio
Do centro à Sé
De sou a são



De um a outro
De muito a pouco
De tudo a quase
Do quase ao não



Do não ao nada
Do fogo à fala
Do blues ao soul
Do adeus à mão