domingo, 7 de agosto de 2011

Terceira carta à Rainha

Não peço que entendas
Aquilo que não entendo
em mim mesmo

E quem há de entender a luz
Sem sair da sombra?

Mudar pode ser trágico
Só depende de tu aceitares ou não
Não, é trágico
Aceitares, não

Entreguei-te a verdade
Beijei-te a mão
Faça dela o que bem entenderes
Mesmo que não a entendais

Sou tão pequeno
És tão generosa
Sou tão instável
És tão frágil
Sou tão humano
És tão humana

Se beijasse outros lábios agora
Teriam eles gosto de mel com vinagre
Mel pela satisfação daquele que vive a nos tentar
Vinagre pelo vazio que viria depois...

Permite
Que eu  permita à mim
Pois eu permito à ti
Ser o que tu és
Viver como sois
Pensar como queres


E peço a ti que não me prendas
Pois minha fuga pode ser cruel

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