Eu ainda não sei o seu segredo. Na verdade, nada sei sobre você. Esqueci tudo. Só o que sei e o que me lembro é que minha cabeça só consegue se concentrar no seu sorriso, como um horizonte para mim, e é sempre como se o visse pela primeira vez. Sinto-me quente, o rosto corado, e abro um sorriso. Mas a realidade implacável me faz abrir os olhos e ver que nada há ali, só o vazio. Aí então, tudo parece desabar.
Sim, estou triste. Desculpe, sei que deveria dizer o contrário, mas não quero mentir. Eu queria poder te ter aqui agora, pra poder mostra tudo o que não mostrei, dizer o que não disse, fazer o que não fiz, mas gostaria de ter feito.
Quanto tempo perdemos, não? Quantas luas se passaram sem que disséssemos palavras de amor um ao outro. Sem ao menos um olhar, às vezes. Eram tantas as coisas que gostaria de viver ao seu lado, tantas foram as viagens que desenhei em pensamento, todas em sua companhia.
O que houve, se o amor ainda vive, por eu continuo embaixo deste cobertor no meu quarto, e você em sua casa, lendo? Por que, então, não pego agora um ônibus pra, daqui quinze minutos bater na sua porta. Eu não sei, isso não faz sentido. Na verdade faz, mas não quero entender. Saber o porquê talvez me impeça de sonhar.
Esquecendo tudo isso, quero dizer, novamente – talvez em vão, mas isso não depende de mim – que te amo. Tanto que meu coração se torna uma lareira largada às cinzas sem sua lenha para acender-lhe a chama. Quero que saiba que meu último desejo é me perder num abraço seu.
Chega de drama, preciso de uma aspirina. Volto quando a fraqueza bater novamente.
terça-feira, 27 de abril de 2010
quarta-feira, 21 de abril de 2010
Filho da noite
Era noite. Mais uma dessas madrugadas quentes de verão. Ao que a cama se tornou insuportável, como fogo em minha pele, levantei-me. Deixei que meus pés insones me guiassem, cegos, no breu. Comecei a caminhar, andar. Mas caminhandar era pouco, e tratei de correrandar. Um véu negro em meus olhos, via sombras tomarem formas, corria; rostos, vozes, corria; pensamentos maus na cabeça, corria... Fadiga...
Percebi já estar perto da porta. Corri até ela e, abrindo-a, esperava acordar. Mas não, não, não! Estava na rua. Vaguei sem rumo, na companhia de uma bela dama, de infinito longo negro, brincos de pérola, e um sorriso que dizia muito. Sua beleza era encantadora, mas os perigos eram muitos. Andar na companhia da noite era como estar só. Gritasse o quanto pudesse, só ouviria o eco em resposta. Procurei, no céu, a lua, e nada encontrei, nem isso a noite me deixou.
Em nada me ajudava andar, então parei e sentei-me sob uma árvore. Recostei no tronco sujo, impregnado de restos de fumaça, e um cheiro de amônia que não quis saber de onde vinha, e sumi. Sumido, vi algo se mover, vagaroso e cambaleando, arrastando-se pelo asfalto. Só via trapos, negros, imundos e, pelo relevo, concluí que debaixo dos panos havia uma pessoa. Seria ele um vagante como eu? Um infeliz que, como eu, perambulou, e perdera as esperanças? Ou, quem sabe, outro filho da noite a me atormentar? Quem sabe pior...
O que antes era apenas um vulto, já virara uma sobra, e agora era quase sólido. Sentia um cheiro terrível, que me lembrava terra, cinzas, sangue... Morte. Meus olhos se arregalaram, e vi então um capuz. Sob ele, os piores pesadelos, os medos mais profundos, os segredos mais inconfessáveis, os passados mais escabrosos, as figuras mais horrendas. Uma mão, decrépita, submergiu dos trapos, segurando, leve e sombria, algo que reluzia a prata, refletindo o medo estampado em meus olhos. Lembrava-me uma foice, feita da mais nobre prata, com fio macio e afiado, os vestígios do sangue ainda na lâmina, que acabara de ser limpa nos panos sujos de suas vestes. Senti sufocar, e o silêncio era a gargalhada do diabo, e a foice direcionada a mim, pronta para desobstruir os canais entupidos.
A coragem me veio a tempo e, sem saber pra onde, voltei a correr. Corri entre carros, corri entre corpos, corri entre a lama e o caos, fugindo de algo do qual não se fugia, não se podia fugir. Mas eu não era eu, era uma tempestade de pensamentos confusos, dor, e medo. Já não via mais nada, o véu negro novamente a me cegar. Caí, e dobrei meu corpo em dor. Uma angústia terrível encheu-me o peito, me coração se rasgou em sofrimento. As lágrimas eram negras, e corriam soltas pela face já deformada.
Aproximando-me do suspiro final, usei da última fagulha de vida que ainda restava em mim, e roguei aos céus, à força que tudo aquilo criara, que tudo controlava, e que tinha o poder fazer tudo parar. Mas fui consumido de forma mais rápida ainda, e com maior força que antes. Nada pude fazer, e respirei pela última vez. E acordei.
De súbito me vi em meu quarto. enxuguei o suor que escorria pela minha testa, e por todo o corpo, ensopando minha cama, e esperei até que minha respiração ofegante acalmasse, e minha lucidez retornasse. Não distinguia ainda pesadelo e realidade. Pus os pés no chão pra sentir a matéria que me assegurou que estava vivo e lúcido. Levei as mãos ao rosto, ainda ofegando. Desci a escada até a cozinha, tomei um copo d'água, vi no relógio que ainda era madrugada, mas não voltei a dormir. Sentei-me ao sofá da sala, e me ocupei de olhar a TV desligada. Sem conclusões! Seguirei vivendo...
Percebi já estar perto da porta. Corri até ela e, abrindo-a, esperava acordar. Mas não, não, não! Estava na rua. Vaguei sem rumo, na companhia de uma bela dama, de infinito longo negro, brincos de pérola, e um sorriso que dizia muito. Sua beleza era encantadora, mas os perigos eram muitos. Andar na companhia da noite era como estar só. Gritasse o quanto pudesse, só ouviria o eco em resposta. Procurei, no céu, a lua, e nada encontrei, nem isso a noite me deixou.
Em nada me ajudava andar, então parei e sentei-me sob uma árvore. Recostei no tronco sujo, impregnado de restos de fumaça, e um cheiro de amônia que não quis saber de onde vinha, e sumi. Sumido, vi algo se mover, vagaroso e cambaleando, arrastando-se pelo asfalto. Só via trapos, negros, imundos e, pelo relevo, concluí que debaixo dos panos havia uma pessoa. Seria ele um vagante como eu? Um infeliz que, como eu, perambulou, e perdera as esperanças? Ou, quem sabe, outro filho da noite a me atormentar? Quem sabe pior...
O que antes era apenas um vulto, já virara uma sobra, e agora era quase sólido. Sentia um cheiro terrível, que me lembrava terra, cinzas, sangue... Morte. Meus olhos se arregalaram, e vi então um capuz. Sob ele, os piores pesadelos, os medos mais profundos, os segredos mais inconfessáveis, os passados mais escabrosos, as figuras mais horrendas. Uma mão, decrépita, submergiu dos trapos, segurando, leve e sombria, algo que reluzia a prata, refletindo o medo estampado em meus olhos. Lembrava-me uma foice, feita da mais nobre prata, com fio macio e afiado, os vestígios do sangue ainda na lâmina, que acabara de ser limpa nos panos sujos de suas vestes. Senti sufocar, e o silêncio era a gargalhada do diabo, e a foice direcionada a mim, pronta para desobstruir os canais entupidos.
A coragem me veio a tempo e, sem saber pra onde, voltei a correr. Corri entre carros, corri entre corpos, corri entre a lama e o caos, fugindo de algo do qual não se fugia, não se podia fugir. Mas eu não era eu, era uma tempestade de pensamentos confusos, dor, e medo. Já não via mais nada, o véu negro novamente a me cegar. Caí, e dobrei meu corpo em dor. Uma angústia terrível encheu-me o peito, me coração se rasgou em sofrimento. As lágrimas eram negras, e corriam soltas pela face já deformada.
Aproximando-me do suspiro final, usei da última fagulha de vida que ainda restava em mim, e roguei aos céus, à força que tudo aquilo criara, que tudo controlava, e que tinha o poder fazer tudo parar. Mas fui consumido de forma mais rápida ainda, e com maior força que antes. Nada pude fazer, e respirei pela última vez. E acordei.
De súbito me vi em meu quarto. enxuguei o suor que escorria pela minha testa, e por todo o corpo, ensopando minha cama, e esperei até que minha respiração ofegante acalmasse, e minha lucidez retornasse. Não distinguia ainda pesadelo e realidade. Pus os pés no chão pra sentir a matéria que me assegurou que estava vivo e lúcido. Levei as mãos ao rosto, ainda ofegando. Desci a escada até a cozinha, tomei um copo d'água, vi no relógio que ainda era madrugada, mas não voltei a dormir. Sentei-me ao sofá da sala, e me ocupei de olhar a TV desligada. Sem conclusões! Seguirei vivendo...
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segunda-feira, 19 de abril de 2010
Oração
Me levem os anéis, me cortem os dedos
Me levem os brincos, me arranquem as orelhas
Me levem os colares, me cortem o pescoço
Me levem as pulseiram, me navalhem os pulsos
Me levem as roupas, me tomem o corpo
Me levem os calçados, me empurrem à brasa
Me levem o ouro, me deixem na lama
Me levem a bengala, me joguem ao chão
Me levem tudo o que puderem pegar
Me levem aquilo que puderem tocar
Me levem até mesmo meu corpo inerte
Pois da alma não me levam as lutas vencidas
Não levam, nem a custo, o pão repartido
A semeadura
O chão percorrido não levam
A memória, até o mal que já fiz
Eu sou a semente que planto
Eu sou a palavra que digo
Eu sou o canto, a dança, a alegria da vida
Eu sou aquilo que você não é, não vê
Não viu
Me levem os brincos, me arranquem as orelhas
Me levem os colares, me cortem o pescoço
Me levem as pulseiram, me navalhem os pulsos
Me levem as roupas, me tomem o corpo
Me levem os calçados, me empurrem à brasa
Me levem o ouro, me deixem na lama
Me levem a bengala, me joguem ao chão
Me levem tudo o que puderem pegar
Me levem aquilo que puderem tocar
Me levem até mesmo meu corpo inerte
Pois da alma não me levam as lutas vencidas
Não levam, nem a custo, o pão repartido
A semeadura
O chão percorrido não levam
A memória, até o mal que já fiz
Eu sou a semente que planto
Eu sou a palavra que digo
Eu sou o canto, a dança, a alegria da vida
Eu sou aquilo que você não é, não vê
Não viu
sábado, 17 de abril de 2010
Lágrima
Lenta
Do olho cai sem pressA
Grave
Rarefazendo aos poucos
CaI
Molhada deixa a face
Marcada deixa a almaA
Do olho cai sem pressA
Grave
Rarefazendo aos poucos
CaI
Molhada deixa a face
Marcada deixa a almaA
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o germe (parte III)
Resolvi dar de comer ao germe hoje à tarde. Na escola, durante um intervalo tedioso, sentei com a solidão, e comecei a sumir. Digo sumir, o fato de me fechar em mim mesma, pois a sensação é de inexistência física, é como sumir. Lentamente, mergulhei cada vez mais e mais fundo em mim. Pensei nele. Me veio a dor e o êxtase. Mas tive medo, era tudo muito forte, forte demais, mais forte do que deveria, forte o suficiente para me deixar tonta.
Ainda sumindo, desfoquei daquilo e olhei para o alto. Vi as pombas, nos topo do prédio da escola, pomposas, tomando conta do mundo. Eram duas, cada uma numa extremidade do prédio. Com o peito estufado, pose de soldado, e a graça e delicadeza de uma dama, observavam a tudo, como se nos guardassem, como se zelassem por nós. Queria poder entregar a elas uma carta, selada com meu nome e meu sangue, com tudo aquilo que não entendo e que rejeito. E que elas a carregassem para longe, longe da minha imaturidade, longe da minha inconstância, longe da minha inclinação ao erro.
Ainda sumindo, desfoquei daquilo e olhei para o alto. Vi as pombas, nos topo do prédio da escola, pomposas, tomando conta do mundo. Eram duas, cada uma numa extremidade do prédio. Com o peito estufado, pose de soldado, e a graça e delicadeza de uma dama, observavam a tudo, como se nos guardassem, como se zelassem por nós. Queria poder entregar a elas uma carta, selada com meu nome e meu sangue, com tudo aquilo que não entendo e que rejeito. E que elas a carregassem para longe, longe da minha imaturidade, longe da minha inconstância, longe da minha inclinação ao erro.
quinta-feira, 15 de abril de 2010
O Germe (parte II)
Estava instaurada a guerra. Eu lutava contra mim mesma tentando justificar a infertilidade do solo alheio. Será que nenhuma muda brotaria em seu coração? O que aconteceu com o jardim vasto, diverso, encantador que antes residia em seu peito? Negando a possível verdade, encontrei milhões de justificativas - desde um estresse passageiro, até a influência do demônio que tanto me alertara minha avó. Eu sabia que nada daquilo era sério, só uma maneira de eu me iludir, pra me sentir melhor. Logo agora que eu me sentia uma pessoa normal, capaz de amar com tanto mel que me causaria diabete, ele resolveu ficar amargo. Não sei qual foi o limão que ele chupou, mas agora quem estava azeda era eu.
O germe (parte I)
Desculpe... Ainda estou digerindo. Enxerguei algo dentro de mim que me assustou. Mas não era algo que deveria estar ali, era um objeto estranho, um germe, que eu não esperava encontrar em mim.
Me perguntava todo dia se amava, como qualquer pessoa ama. Mas a resposta não foi racional, nem imediata. Comparei-me aos humanos que conhecia - eu que adorava analisá-los, agora me comparando a eles pra chegar a um diagnóstico próprio. Os humanos normais, diferentes de mim, diziam o nome da pessoa amada com regozijo, usam hipérboles para dramatizar ainda mais os dramas do casal, reclamavam da saudade insuportável de uma semana, da distancia imensa de alguns quilômetros, e explodiam em amor quando, finalmente, estavam ao lado de seu par - eu quase podia ver o amor, rosa, pairando, como a fumaça após a explosão, por entre o casal. Comigo era diferente. Eu, definitivamente, não tinha talento para isso: não babava mel ao falar dele, não tornava uma novela nossa relação, não saltitava ao vê-lo. Eu não era assim. Não com ele. Lembrei de meu passado melo dramático-românctico-adocicado-melindrado-idiota e repulsei.Não queria aquilo de novo. E, até então, pensei que com ele meu objetivo de ser mais madura estava sendo alcançado.
Foi quando, em mais um dos finais de semana que passávamos juntos, eu olhava nos olhos dele, e ele não olhava nos meus. Esperei com ansiedade que a vergonha passe, e ele me encarasse de volta, mas não aconteceu. Desviei o olhar também. Segurei em sua mão, esperando que uma conexão se formasse, e eu me sentisse quente por dentro, mas algo nos bloqueava, não deixando a energia fluir. Foi aí que percebi a existência do corpo estranho em mim. O mesmo corpo, que em outros vivia tão pacificamente, inerente ao ser, estava em mim, causando estranhamento. Um sobressalto, e olhei pra ele novamente, procurando este mesmo germe, que antes eu podia ver nele. Não confio muito em minha visão pra essas coisas, mas não vi nada: nenhum mel escorrendo, nenhum sorriso bobo, nenhum olhar de ternura, nenhum sinal do germe. Ele tentava disfarçar, mas eu o conhecia bem demais.
Ainda estou sob o efeito do torpor que veio depois da descoberta. Ela veio acompanhada de um misto de medo e prazer, que agia em mim como anestesia. Eu, absolutamente, não me via vestindo aquela roupa, usando aquelas palavras, rindo daquela maneira. Era uma proibição íntima, era lei.. Mas, debaixo do meu nariz, a erva daninha cravou suas raízes. Quando percebi, já era tarde, perdi tudo o que cultivara com disciplina oriental. Deveria estar tudo bem, qualquer um estaria satisfeito, não fosse a segunda descoberta. talvez (com certeza) pior que a primeira.
Me perguntava todo dia se amava, como qualquer pessoa ama. Mas a resposta não foi racional, nem imediata. Comparei-me aos humanos que conhecia - eu que adorava analisá-los, agora me comparando a eles pra chegar a um diagnóstico próprio. Os humanos normais, diferentes de mim, diziam o nome da pessoa amada com regozijo, usam hipérboles para dramatizar ainda mais os dramas do casal, reclamavam da saudade insuportável de uma semana, da distancia imensa de alguns quilômetros, e explodiam em amor quando, finalmente, estavam ao lado de seu par - eu quase podia ver o amor, rosa, pairando, como a fumaça após a explosão, por entre o casal. Comigo era diferente. Eu, definitivamente, não tinha talento para isso: não babava mel ao falar dele, não tornava uma novela nossa relação, não saltitava ao vê-lo. Eu não era assim. Não com ele. Lembrei de meu passado melo dramático-românctico-adocicado-melindrado-idiota e repulsei.Não queria aquilo de novo. E, até então, pensei que com ele meu objetivo de ser mais madura estava sendo alcançado.
Foi quando, em mais um dos finais de semana que passávamos juntos, eu olhava nos olhos dele, e ele não olhava nos meus. Esperei com ansiedade que a vergonha passe, e ele me encarasse de volta, mas não aconteceu. Desviei o olhar também. Segurei em sua mão, esperando que uma conexão se formasse, e eu me sentisse quente por dentro, mas algo nos bloqueava, não deixando a energia fluir. Foi aí que percebi a existência do corpo estranho em mim. O mesmo corpo, que em outros vivia tão pacificamente, inerente ao ser, estava em mim, causando estranhamento. Um sobressalto, e olhei pra ele novamente, procurando este mesmo germe, que antes eu podia ver nele. Não confio muito em minha visão pra essas coisas, mas não vi nada: nenhum mel escorrendo, nenhum sorriso bobo, nenhum olhar de ternura, nenhum sinal do germe. Ele tentava disfarçar, mas eu o conhecia bem demais.
Ainda estou sob o efeito do torpor que veio depois da descoberta. Ela veio acompanhada de um misto de medo e prazer, que agia em mim como anestesia. Eu, absolutamente, não me via vestindo aquela roupa, usando aquelas palavras, rindo daquela maneira. Era uma proibição íntima, era lei.. Mas, debaixo do meu nariz, a erva daninha cravou suas raízes. Quando percebi, já era tarde, perdi tudo o que cultivara com disciplina oriental. Deveria estar tudo bem, qualquer um estaria satisfeito, não fosse a segunda descoberta. talvez (com certeza) pior que a primeira.
segunda-feira, 12 de abril de 2010
Anísia
A luz do sol na janela
Na face refletida, revela
Intensa alegria de viver
Semostrada aos olhos de quem vê
Ilaqueia a quem não cuidar
Aquela que o sol faz brilhar
Na face refletida, revela
Intensa alegria de viver
Semostrada aos olhos de quem vê
Ilaqueia a quem não cuidar
Aquela que o sol faz brilhar
Inevitável
"Eu te amo", é inevitável; o medo que dá, é inevitável; a fuga na negação, é inevitável; a mentira, é inevitável; a vergonha, é inevitável; a culpa, é inevitável; o ciclo, é inevitável; voltar ao início, é inevitável; "Eu te amo", novamente, inevitável.
A tristeza: inevitável; sentir o coração apertado: inevitável; sentir os olhos úmidos: inevitável; e, inevitavelmente, desapegar de tudo num abraço quente.
inevitável é fugir do seu olhar; inevitável é a tentação do beijo; inevitável é queimar na chama do desejo; invitável e a ilusão; inevitável é a irracionalidade.
inevitáveis somos, inevitáveis estamos, e inevitáveis seremos, pois você é inevitável. e inevitávelmente não resisto a você.
A tristeza: inevitável; sentir o coração apertado: inevitável; sentir os olhos úmidos: inevitável; e, inevitavelmente, desapegar de tudo num abraço quente.
inevitável é fugir do seu olhar; inevitável é a tentação do beijo; inevitável é queimar na chama do desejo; invitável e a ilusão; inevitável é a irracionalidade.
inevitáveis somos, inevitáveis estamos, e inevitáveis seremos, pois você é inevitável. e inevitávelmente não resisto a você.
sábado, 3 de abril de 2010
Cara de pau Brasil
Então, era tudo falso. Nos olhos deles eu pude ver o baque de estar desprotegido. A máscara colada com hipocrisia, sustentada pela alienação nos olhos de quem vê, caiu e fez barulho. Poucos (ou)viram.
Era triste ver, na face sem máscara, a decrepitude maquiada. O medo me tomou, mas a sensação de vitória me fazia rir. Era tão patético e ao mesmo tempo tão assustador. Talvez esse medo viesse da dúvida: será que um dia me tornaria um deles? Teria eu tal covardia? E afinal, quem era mais tolo – eu, que acreditei neles, ou eles, que acreditaram neles mesmos?
Era triste ver, na face sem máscara, a decrepitude maquiada. O medo me tomou, mas a sensação de vitória me fazia rir. Era tão patético e ao mesmo tempo tão assustador. Talvez esse medo viesse da dúvida: será que um dia me tornaria um deles? Teria eu tal covardia? E afinal, quem era mais tolo – eu, que acreditei neles, ou eles, que acreditaram neles mesmos?
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