Resolvi dar de comer ao germe hoje à tarde. Na escola, durante um intervalo tedioso, sentei com a solidão, e comecei a sumir. Digo sumir, o fato de me fechar em mim mesma, pois a sensação é de inexistência física, é como sumir. Lentamente, mergulhei cada vez mais e mais fundo em mim. Pensei nele. Me veio a dor e o êxtase. Mas tive medo, era tudo muito forte, forte demais, mais forte do que deveria, forte o suficiente para me deixar tonta.
Ainda sumindo, desfoquei daquilo e olhei para o alto. Vi as pombas, nos topo do prédio da escola, pomposas, tomando conta do mundo. Eram duas, cada uma numa extremidade do prédio. Com o peito estufado, pose de soldado, e a graça e delicadeza de uma dama, observavam a tudo, como se nos guardassem, como se zelassem por nós. Queria poder entregar a elas uma carta, selada com meu nome e meu sangue, com tudo aquilo que não entendo e que rejeito. E que elas a carregassem para longe, longe da minha imaturidade, longe da minha inconstância, longe da minha inclinação ao erro.
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