Me levem os anéis, me cortem os dedos
Me levem os brincos, me arranquem as orelhas
Me levem os colares, me cortem o pescoço
Me levem as pulseiram, me navalhem os pulsos
Me levem as roupas, me tomem o corpo
Me levem os calçados, me empurrem à brasa
Me levem o ouro, me deixem na lama
Me levem a bengala, me joguem ao chão
Me levem tudo o que puderem pegar
Me levem aquilo que puderem tocar
Me levem até mesmo meu corpo inerte
Pois da alma não me levam as lutas vencidas
Não levam, nem a custo, o pão repartido
A semeadura
O chão percorrido não levam
A memória, até o mal que já fiz
Eu sou a semente que planto
Eu sou a palavra que digo
Eu sou o canto, a dança, a alegria da vida
Eu sou aquilo que você não é, não vê
Não viu
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