Eu ainda não sei o seu segredo. Na verdade, nada sei sobre você. Esqueci tudo. Só o que sei e o que me lembro é que minha cabeça só consegue se concentrar no seu sorriso, como um horizonte para mim, e é sempre como se o visse pela primeira vez. Sinto-me quente, o rosto corado, e abro um sorriso. Mas a realidade implacável me faz abrir os olhos e ver que nada há ali, só o vazio. Aí então, tudo parece desabar.
Sim, estou triste. Desculpe, sei que deveria dizer o contrário, mas não quero mentir. Eu queria poder te ter aqui agora, pra poder mostra tudo o que não mostrei, dizer o que não disse, fazer o que não fiz, mas gostaria de ter feito.
Quanto tempo perdemos, não? Quantas luas se passaram sem que disséssemos palavras de amor um ao outro. Sem ao menos um olhar, às vezes. Eram tantas as coisas que gostaria de viver ao seu lado, tantas foram as viagens que desenhei em pensamento, todas em sua companhia.
O que houve, se o amor ainda vive, por eu continuo embaixo deste cobertor no meu quarto, e você em sua casa, lendo? Por que, então, não pego agora um ônibus pra, daqui quinze minutos bater na sua porta. Eu não sei, isso não faz sentido. Na verdade faz, mas não quero entender. Saber o porquê talvez me impeça de sonhar.
Esquecendo tudo isso, quero dizer, novamente – talvez em vão, mas isso não depende de mim – que te amo. Tanto que meu coração se torna uma lareira largada às cinzas sem sua lenha para acender-lhe a chama. Quero que saiba que meu último desejo é me perder num abraço seu.
Chega de drama, preciso de uma aspirina. Volto quando a fraqueza bater novamente.
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