quarta-feira, 5 de maio de 2010

O mistério da Vênus-Esfinge

  Tragas as mais belas rosas e as colocarei em um vaso, à beira da janela. Tragas os mais belos poemas e os guardarei embaixo do travesseiro, para adoçar meus sonhos. Só não esperes mais que minha ternura em troca.
  Tu és uma distração. Tenho coisas das quais cuidar que uma distração sequer me arruinaria. Eu cuido do mundo, e sem mim, o que seria dele? Que seria do mundo se eu não abrisse a janela toda manhã, fazendo nascer o sol? Que seria do mundo se eu não chorasse ao fim da tarde, fazendo a chuva cair? Que seria do mundo se eu não me enfeitasse à noite, fazendo brilhar a lua e as estrelas?
  Mas, acima de tudo, preciso cuidar de mim. Pois, o que seria do mundo sem mim? O que seria de ti sem o mundo? E o que seria do teu mundo sem mim? Cuidar de mim é trabalho árduo. Os mais disciplinados talvez não conseguissem. Nasci da espuma do mar, sou Vênus. Manter no eixo é tarefa digna de um Hércules. Podes contra Hércules? Nem contra ele, nem contra mim!
  Desistes se és são, e deixa tuas flores, e vai-te viver. Comigo não viverás, pois sou a vida, e se tentares viver comigo acabarás vivendo em mim. Devorar-te ei, pois não me decifrarás! Jamais!

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