Pegou então o barco, e entregou-se à deriva
Não há escolha senão o risco
Morte, até! não temia
Atena acena, ao leste, abençoa
Dá guia ao sonhador
"Segue! Netuno abre-lhe os mares para que navegue"
Segue o derivante, sob sol ardido
Que adentra os abismos marinhos
Vê-se a fauna abissal
Vê-se o ventre, o cerne, o âmago
Não há coisa que se esconda ou camufle sob estes raios
Ah, e não teme o derivante
Seu coração segue a flecha inflamada
Que corta o topo do céu, em direção ao infinito
Há um mundo a desbravar
Há que ir de encontro à Vênus
Que ao poente, exuberante, o espera
E garante-lhe encontros enriquecedores
Quer-se seguro? Segura!
Firma a mão no remo e segura!
Que nada há de certo quando se larga à aventura
Entenda, marujo
Que o barco não lhe veio à toa
Da popa à proa, sua barca é confiada
À você foi dada por missão
Muitos hão de gratificar-lhe a empreitada
Coragem não falta
Tão pouco abstração
Imaginação
Atende ao chamado de Plutão
Teu coração é grandioso, grandiosos hão
De ser teus passos, se não perdidos na inflamação
Na diversão, diversificação
Foca o olhar, afia a língua
Esquenta o peito, abre o coração
Toca o barco, rema fundo
Fundo, fundo, funda ação
São, sois
sóis, sais
Sal da terra
Segue sais
Sal marinho, nunca só
Nenhum comentário:
Postar um comentário